Description
“Diz, Sim�o!” Pede Judas Iscariotes. “Como tu �s um da Judeia como eu, diz-me. Aquela bela loira no colo do Romano, a que que ficou de p� h� poucos minutos atr�s, ela n�o � a irm� de L�zaro de Bet�nia?” “Eu n�o sei. Voltei de entre os vivos h� pouco tempo e ela � uma jovem mulher…” “N�o vais dizer-me que n�o conheces L�zaro de Bet�nia, espero! Eu sei muito bem que �s seu amigo e que j� estiveste l� tamb�m com o Mestre.” “E se fosse assim?” “E j� que � assim, eu digo que deves saber tamb�m a pecadora que � a irm� de L�zaro. At� mesmo os mortos a conhecem! As pessoas t�m falado sobre ela nos �ltimos dez anos. Ela come�ou a ficar tonta assim que chegou � puberdade. Mas h� mais de quatro anos! Tu deves estar ciente do esc�ndalo, mesmo que tivesses estado no “vale da morte”. Toda Jerusal�m falou sobre ela. E L�zaro fechou-se em Bet�nia…Ele fez a coisa certa, afinal. Ningu�m teria posto os p�s na sua magn�fica casa em Si�o, onde ela tamb�m ia e vinha. Quero dizer: nenhuma pessoa com vida de santo. No campo…bem!…Em qualquer caso, ela est� sempre por perto, mas nunca em casa…Ela est� certamente em Magdala agora…Com um novo amante…N�o me vais responder? �s capaz de me mentir?” “Eu n�o te estou a mentir. Estou em sil�ncio.” “Ent�o � ela! Tamb�m a reconheceste!” “Eu vi-a quando ela era crian�a e ela era pura ent�o. Eu vi-a de novo agora…Mas eu reconhe�o-a. Embora lasciva, ela � a imagem viva da sua m�e, uma mulher santa.” “Bem, ent�o, porque estavas a ponto de negar que ela � a irm� do teu amigo?” “N�s sempre nos esfor�amos para esconder as nossas feridas e as das pessoas que amamos. Especialmente quando se � honesto.” “Tens toda a raz�o, Sim�o. E tu �s honesto”, comenta Pedro. “E tu reconheceste-a? Certamente que vais a Magdala para vender o teu peixe e eu pergunto-me quantas vezes j� a viste!…” “Meu rapaz, tu deves saber que quando as tuas costas est�o doridas ap�s um dia de trabalho honesto, n�o est�s interessado em mulheres. Apenas amas a cama honesta da tua esposa.” “Eh! Toda a gente gosta de coisas bonitas! Pelo menos, se por nenhuma outra raz�o, para olhar para elas.” “Porqu�? Para dizer: “N�o h� comida para a minha mesa”? N�o, certamente que n�o. Eu aprendi muitas coisas do lago e do meu trabalho e esta � uma delas: um peixe de �gua doce e calma n�o � adequado para �gua salgada ou para um curso de �gua vorticoso”. “O que queres dizer?” “Quero dizer que todos devem manter o seu lugar para evitar morrer de uma morte perversa.” “Ser� que a Madalena te fez sentir como se estivesses a morrer?” “N�o, eu sou duro. Mas diz-me: n�o te est�s a sentir bem, talvez”? “Eu? Oh! Eu nem sequer olhei para ela!…” “Seu mentiroso! Estou certo de que estavas consumido com inveja por n�o estares no barco, para estar mais perto dela…at� a mim me terias aturado para estar mais perto…Tanto assim �, que me honras com a tua conversa por causa dela, depois de tantos dias de sil�ncio.” “Eu? Ela nem me ter� sequer visto! Ela estava sempre a olhar para o Mestre!” “Ah! Ah! Ah! E ele diz que n�o estava a olhar para ela! Como podes ter visto para onde ela olhava, se n�o olhaste para ela?”






